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Paula Rebelo

Paula Rebelo

Um novo espaço é criado agora no site, um espaço de Entrevistas. A Paula Rebelo é uma mulher lindíssima, com uma grande coragem e força de vontade, que aceitou não só partilhar comigo mas com todos os leitores do site uma fase pela qual ninguém escolhe passar, o cancro da mama. Nunca devemos perder a esperança e amor por nós próprios em qualquer fase da nossa vida. Esta é a mensagem a transmitir.

Nome: Paula Rebêlo

Idade: 50 anos

Ano em que foi diagnosticado o cancro: Detetado em Dezembro de 2010 (07.12.2010); diagnosticado em Janeiro de 2011

Tipo de cancro: Carcinoma Ductal Invasivo da mama esquerda

Tipo de tratamentos por que passou: Cirurgia conservadora em 19.01.2011 (Tumorectomia esquerda com alargamento e exérese de gânglio sentinela), secundada por quimioterapia (4 sessões intervaladas de 3 semanas) e por radioterapia (30 sessões diárias – 18.05.11 – 22.06.11)

Como se define?! Como se descreveria se lhe pedissem para apontar as suas características mais fortes?! Muito teimosa; nunca dar o braço a torcer, não gostar de depender de ninguém para nada, persistente; orgulhosa mas ao mesmo tempo discreta e reservada.

Considera-se uma mulher vaidosa?! Sim.

Como se sentia com a sua imagem antes de descobrir a doença e como se passou a sentir depois?! Mudou a maneira de se ver?! Se sim, como se passou a sentir/ ver?! Aprendi a gostar mais de mim, passei eu para primeiro plano, passei a amar a minha liberdade pessoal.

Como acha que os outros a viam durante a fase de tratamentos?! “Coitadinha!”

É comum ouvirmos mulheres que passaram por um processo de quimioterapia afirmarem que o pior de todo o processo é a perda do cabelo?! Concorda?! Foi o que aconteceu consigo?! Sim, é verdade que a maioria das mulheres consideram ser a perda de cabelo a pior fase do processo mas para mim não, mentalizei-me que durante um período iria ficar careca e, na véspera de fazer quimioterapia, cortei o cabelo bem curto. O que mais me custou foi a queda das sobrancelhas e pestanas pois não caíram na mesma altura mas sim um pouco mais tarde, quando já pensava ter ultrapassado essa fase.

Sentiu necessidade de usar peruca, de manter aquela imagem de uma pessoa com cabelo?! O lenço deixa de ser mero acessório que usamos esporadicamente para ser um elemento essencial do guarda-roupa?! Sou uma mulher muito organizada, gosto de antecipadamente prever, por isso, mesmo antes de me cair o cabelo, visitei lojas de venda de perucas e turbantes. Vi algumas de que gostei mas como frequentemente ia ao cabeleireiro e gostava de mudar, até na cor do cabelo, com a peruca não poderia fazê-lo, seria o mesmo tipo desde o início até ao final do tratamento e não gostei da ideia. Por isso achei que o melhor seria os turbantes e aí comprei-os de variadíssimas cores e modelos. Respondendo diretamente à sua pergunta, não necessitava de manter a imagem de pessoa com cabelo, apenas, por força das circunstâncias, teve de ser. Na altura foi, como deve imaginar, extremamente difícil, a situação, quer para nós quer para a família. Os meus filhos reagiram de maneiras completamente diferentes. O meu filho quis rapar o cabelo e a minha filha insistia comigo que teria de usar peruca, para que ninguém exterior à família, se apercebesse que estava careca. Então, levei-a a partilhar da escolha das perucas/ turbantes e acabou por me dizer que achava mais gira a ideia dos turbantes de várias cores a combinar com as cores da roupa. Mas nunca me deixou sair à rua sem proteção na cabeça, pois para ela seria a forma de me proteger contra o olhar condoído das pessoas.

Receber elogios de mulher bonita, como é, durante a fase de tratamentos tem o mesmo significado que antes de descobrir a doença?! Claro, que nós mulheres gostamos de ouvir elogios em qualquer momento, mas nessa altura embora nos faça muito bem, sabemos que não estamos bonitas, apenas vivas.
Uma palavra, um conselho, algo que queira dizer a todas as mulheres que é diagnosticado cancro.
O meu médico, disse-me na atura que queria que eu me arranjasse logo pela manhã, como que fosse trabalhar e, assim o fiz, e nunca me dei mal. Comecei a dar ainda mais importância ao meu visual.
O importante é nunca nos deixarmos ir abaixo, nunca dar-mos oportunidade a que alguém diga “coitadinha” e termos sobretudo muita esperança, força e coragem pois trata-se de um momento “ menos bom” da nossa vida. Nunca sentir o diagnóstico como uma sentença de morte.

Dia do 1º Tratamento de Quimioterapia (já tinha cortado o cabelo).

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Abril 2011

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4.07.2011 – Após ter terminado a radioterapia.

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2013

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Cláudia Cordeiro

Licenciada em Direito, com pós-graduação em Práticas Forenses e em Prática Notarial. Em 2013, frequentei o Curso de Consultoria de Imagem da Blossom e assim nasce o projecto de Consultoria de Imagem & Styling by Cláudia Cordeiro.

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